Mãe-secretária ou secretária-mãe?



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Com a proximidade da data do dia das Mães, mesmo sendo uma invenção dos americanos para aumentar as vendas que estavam em baixa no mês de maio, não temos como não nos preparar para o tão aguardado dia ou mesmo não esperar pelo menos um presente que seja! Aliás, a data comemorativa em que o comércio mais vende, perdendo somente para o Natal, é exatamente o dia das Mães! Portanto, não há como esquecer: é sempre comemorado no 2o. domingo de maio.

Você profissional, foi mãe primeiro e depois se tornou Secretária ou aconteceu o inverso?  De qualquer forma, acredito que tenha passado por um turbilhão de incertezas e inseguranças nessa hora. Trabalhar ou não? Deixar o filho com parentes ou com empregada? Contratar uma babá ou deixar a criança em período integral em uma escola infantil ou creche?

Afinal, quando temos um filho as prioridades da vida mudam, sejam para as casadas, solteiras ou mesmo separadas. Some-se a isso a necessidade e/ou vontade de trabalhar fora; de ter uma profissão; de ser reconhecida não só como mulher, mãe, mas também como uma profissional competente e, ainda por cima, de sucesso. Nossa, é muita coisa para uma pessoa só! 

Considerando-se que, uma Secretária eficiente, tem de se desdobrar em mil para dar conta de todas as responsabilidades diárias a ela impostas  e, ainda assim, tem de achar espaço para ser também uma mãe dedicada e presente, nos poucos momentos que sobra no final do dia. 

Sei que não é fácil e quem está próximo de pessoas assim presencia o malabarismo que elas fazem no dia  a dia para acompanhar a rotina e o desenvolvimento dos filhos, mesmo que seja pelo telefone ou através de relatos da empregada ou parentes.

Deve-se levar em conta também a quantidade e a qualidade de tempo gasto com cada uma dessas tarefas. Tanto na vida doméstica como na profissional a qualidade é fundamental para se ter um serviço bem feito.

Era muito comum ver secretárias grávidas no trabalho que me diziam até o último minuto que não sabiam se voltariam a trabalhar; outras voltavam após o término da licença-maternidade e passados alguns dias ou meses, abandonavam o trabalho, sabe-se lá por qual motivo ou pressão de quem. Há aquelas que são praticamente obrigadas pelo marido a voltar a trabalhar porque ele sozinho não conseguiria manter o mesmo padrão social e econômico da família e outras que diziam que voltariam, mas, no dia do retorno, apareciam na empresa apenas para comunicar seu desligamento ao chefe e ao RH.

Presenciei muitas colegas que, no primeiro dia de retorno ao trabalho, choravam sem parar, pois sentiam-se culpadas por abandonar segundo elas mesmas, um bebê indefeso aos cuidados de outra pessoa que não fosse ela.

Outras secretárias, porém, adiavam ao máximo a maternidade, pois ainda queriam estudar mais, se aperfeiçoar  na profissão, ganhar mais reconhecimento e experiência no trabalho. Entretanto, quando elas achavam que havia chegado a hora, o relógio biológico assinalava que o prazo para ser mãe já havia passado e, por conta da frustração mútua,  era comum gerar atritos e conflitos entre o casal.

Dizem que, para cada escolha, há uma renúncia. Pois é! Cada pessoa tem uma prioridade na vida e não nos cabe julgar o que é melhor para ninguém. Cada um sabe de si!

Só gostaria de fazer um alerta: se você quer ser mãe, procure planejar sua maternidade, seja na empresa onde está ou em outra. Existem muitas empresas que possuem uma sala especial para as mães amamentarem; outras dão auxílio-creche ou escola e também existem aquelas que continuam valorizando a profissional dedicada e competente que você sempre foi mesmo depois de ser mãe.

Infelizmente existem algumas empresas que não aceitam de bom grado secretárias-mães, ainda mais quando estas têm filhos pequenos, pois sabem que são frequentes as ausências  e atrasos ao trabalho para levar o filho ao médico, escola ou quando ficam doentes. Muitas as recusam já no processo seletivo e outras esperam pelo cumprimento da licença- maternidade para dispensá-las sem a menor cerimônia. Eu mesma já presenciei essas situações com colegas de profissão e nessa hora, a última coisa que levam em conta é sua competência, dedicação e experiência.

Conheci uma secretária que escondeu até o quinto mês sua gravidez para o chefe. Ela tinha medo de ser discriminada e, posteriormente demitida porque onde trabalhava o serviço era intenso e não havia nenhuma secretária com filhos, até porque era comum elas saírem tarde da empresa em virtude do volume de trabalho.

Pois bem, quando decidiu contar ao chefe, ele deu aquele clássico sorriso amarelo e a cumprimentou com parabéns e lhe desejando boa sorte. Boa sorte realmente foi preciso para ela conseguir outro emprego, depois de ser demitida ao término da licença. 

Imaginem vocês, se já é complicado manter-se no emprego logo após ter um filho, como será procurar emprego com um filho recém-nascido? Realmente é muito difícil!

Porém, é importante perceber se você tem perfil para ser mãe e  dona de casa porque caso não tenha, sua dedicação nunca estará à altura do esperado e você se sentirá culpada ao extremo por não conseguir dar conta do recado. Se esse for o seu caso, deixe essas tarefas para alguém de sua confiança realmente capaz e experiente e dedique-se ao seu trabalho como vem fazendo há anos.   

Existem pesquisas recentes onde mostram que o número de profissionais que adiaram a maternidade e quando puderam ser mãe, abandonaram seu empregos é crescente se compararmos a décadas passadas. Independente da classe social ou do salário e cargo que tinham na empresa, hoje, cada vez mais, as mães estão priorizando a família, acho que, muitas vezes, em decorrência da falta de tempo para a casa, marido e filhos e, consequentemente para elas próprias o que gera um vazio muito grande.  Nada impede que você dispense um ou dois anos de sua vida profissional para cuidar de seu filho e depois retorne ao trabalho, ainda mais se você se considera uma pessoa jovem e inteligente. Durante esse período procure se reciclar, fazer cursos de atualização profissional e manter contatos constantes com os colegas de trabalho.

Há também a possibilidade de contar seus planos ao seu chefe e ao RH e dizer que pretende voltar dentro de um ou dois anos e, caso seja considerada uma boa profissional, com certeza a empresa a receberá de volta com muito gosto ou então lhe recomendará a outra empresa, pois, você sabe, hoje em dia, tudo gira em torno de indicação e relacionamento.

Sempre surgem cargos e vagas novas e, com isso muitas pessoas entram e saem das empresas, portanto, não se desespere. Sempre haverá um espaço para você, seja nessa ou em outra empresa.  Caso seja difícil esse retorno, é possível também mudar de profissão, fazer outro curso ou faculdade e se dedicar a outra atividade profissional. O que não pode é se frustar e abrir mão do que realmente deseja da sua vida.

Porém, se depois de ter estudado e trabalhado muito, ter anos de experiência e ter acumulado uma bela poupança, nada impede que abandone tudo e se dedique ao seu filho ou filhos se isso realmente lhe fizer feliz. Importe-se com o que você pensa e quer para você e sua família e não dê atenção à opinião dos outros. Muitas vezes, essas pessoas que a criticam e julgam dariam tudo para estar em seu lugar, seja ocupando um cargo de destaque no trabalho ou levando uma vida mais tranquila em casa. 

Particularmente acho ser muito difícil conciliar três ou quatro tarefas diárias com perfeição, ou seja, casa, marido, filhos e, principalmente o trabalho.   Há quem diga que consegue, só não sabemos se é verdade!  

Pense nisso!

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Comentários (6)

Luciana A C Kobayashimaio 9th, 2012 - 21:26

Muito bom este artigo! O que me fez mudar de profissão foi pensando na minha família. Trabalhava como secretária bilíngue em uma empresa há praticamente 5 anos e como pretendíamos ter filhos optei por deixar a empresa e me preparar para a maternidade. Pensei num trabalho que fosse mais “flexível” e que pudesse conciliar família e emprego. Comecei a lecionar e, depois de um tempo, engravidei e estou no magistério até hoje, há praticamente 16 anos. Não me arrependo, pois a família para mim está em primeiro lugar!

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Mirian Nassermaio 9th, 2012 - 23:08

Olá, Luciana!

Fico feliz que tenha se planejado e que tenha tomado a decisão mais acertada. O importante é se manter ativa e e se sentir útil, seja em que trabalho ou situação for. Nossa realização pessoal também é muito importante. Acredito que você deve ser tão boa professora como foi quando secretária porque sempre se mostrou dedicada e muito interessada nos estudos.
Parabéns!
Um abraço.
Mirian

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Fernanda Haydéemaio 11th, 2012 - 19:10

Decidi ser mãe depois de 7 anos de casada e 7 anos de empresa como secretária.
Não é nada fácil conciliar as duas coisas mas também não é impossível.
Desde os 4 meses, minha filha fica no berçário e hoje, com quase dois anos, ela ama a escola. Foi a melhor coisa que fiz, porque tinha de voltar a trabalhar. Não me arrependo.
Não tenho tempo para nada, pois trabalho o dia todo e em casa fico com minha filha o tempo todo. Além de fazer uma segunda faculdade, optei pelo curso à distância.
Realmente o tempo é bem curto mas com o próprio tempo, adquirimos jogo de cintura para fazer outras coisas. Beijos. Fernanda Haydée

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Mirian Nassermaio 12th, 2012 - 1:50

Olá, Fernanda!

Obrigada pelo seu contato e participação. É bom saber que está feliz, casada, com uma filha e ainda trabalhando e estudando. Se você consegue conciliar todas as atribuições que são exigidas de uma mãe, dona-de-casa, estudante, mulher e profissional, você está de parabéns! Como você mesma comentou, não é nada fácil, mas se houver organização é possível executar todas essas tarefas, embora seja impossível dedicar seu tempo igualmente a cada uma delas.
Um abraço e feliz dia das Mães.
Mirian

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Alessandrasetembro 11th, 2012 - 11:40

Meu sonho é me tornar uma secretária de sucesso, mas depois deste artigo estou em dúvida! Estou no 4º semestre de secretariado e tenho um filho de 6 anos , mas é claro, pretendo ter outro. Parabéns pelos artigos!!!

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Mirian Nassersetembro 11th, 2012 - 12:26

Olá, Alessandra!

Obrigada pelo seu contato e elogios.
Realmente conciliar a profissão com a maternidade não é uma tarefa fácil. Sempre damos prioridade para um lado e o outro fica sempre incompleto. Nem que você fosse a mulher maravilha daria conta do recado embora há mulheres que dizem, orgulhosas, que conseguem, mas, muitas vezes, elas se iludem. Além disso, há as tarefas domésticas, marido, casa, suas prioridades pessoais, etc. É um assunto delicado, polêmico e que cabe unicamente ao envolvido decidir qual é a sua necessidade, ambições e sonhos na vida e não cabe a ninguém julgar, opinar ou criticar a decisão tomada porque cada um sabe de si.
Boa sorte!
Um abraço.
Mirian

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