Polivalente: ser ou não ser?



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Você, secretária,  já bastante experiente e com muitos anos de prática e você, que está do outro lado da moeda e que ainda é estudante, estagiária ou em começo de carreira, também se considera uma profissional polivalente, proativa, dedicada, com muita experiência, multifuncional, interessada, além de ser aquela que realmente “veste a camisa” da empresa ou algo parecido?

Pois bem, se a resposta for positiva, pergunto-lhe agora: “Você acha que tem valido a pena? Você se sente realmente recompensada e valorizada pelo trabalho que faz?”.

Com certeza, já lhe aconteceu, logo nos primeiros dias de trabalho, de algumas empresas lhe prometerem muitas oportunidades de melhoria financeira e desenvolvimento  profissional e pessoal se você se empenhasse muito no trabalho, não é?  Tanto é verdade que muitas dessas empresas preferem profissionais casadas sem filhos, solteiras ou separadas, ou ainda aquelas com filhos já adultos com o objetivo de não atrapalhar muito o desempenho diário de suas atividades, uma vez que a disponibilidade de horário é uma constante nessa profissão. 

 No começo de carreira, toda secretária se esforça para fazer tudo o que lhe pedem e algo mais, com perfeição e no menor tempo possível. É como se participássemos de uma corrida de carros onde o primeiro colocado receberia um prêmio valioso na chegada. 

Porém, quando a secretária se considera bastante experiente, ela executa as tarefas com rapidez e perfeição porque já tem muita prática na realização das atividades diárias. Por  mais  difícies que possam ser, essa profissional sempre resolve o problema de forma eficiente.

Acredito que você conheça em sua empresa ou mesmo em algum departamento, aquela secretária muito competente e que é conhecida como a “sra. Resolve Tudo; sra. Missão Impossível,; sra. O céu é o limite”  e outros apelidos  semelhantes.  Sem dúvida nenhuma, são referências engraçadas, porém, carinhosas, cujo reconhecimento qualquer secretária dedicada almeja. É como se fosse um troféu ou algo imaginário, que a secretária recebe por mérito, dos colegas de empresa.    

Comento isso porque já vi e vivi situações semelhantes ao que contarei, e gostaria muito que você refletisse a respeito e verificasse se faz ou não sentido para você.

De repente, seu chefe lhe chama para fazer um trabalho urgente (ex.: digitação de um relatório imenso, uma apresentação, tradução, viagem e hospedagem, organização de reunião ou evento, compra de brindes, preparação de uma festa ou confraternização,  problemas com clientes, resolução de assuntos particulares do seu chefe, etc.) e, nesse impasse, deixa para depois tudo o que estava em execução naquela instante e sacrifica seu horário de almoço ou faz outros malabarismos para resolver a tal pendência.

Os cursos ou atividades de lazer que costuma fazer após o expediente são relevados a um segundo plano porque, sua prioridade no momento, mesmo que forçada, é o trabalho.

Ao final, depois de muita correria e estresse, você consegue concluir, dentro ou até mesmo antes do prazo determinado, o que lhe foi solicitado fazer naquele dia.  

Nesse momento, todos lhe agradecem pelo empenho, eficiência e profissionalismo; principalmente seu chefe, e, com isso, você se sente recompensada por todo o seu esforço e sacrifício.

Após alguns dias, essa situação volta a se repetir, e você, como sempre, resolve. Assim, tal solicitação urgente ou emergencial torna-se rotina, e, sem lhe consultar, você é eleita a responsável para “apagar incêndios” de todo o departamento e dos executivos que atende, mesmo não sendo bombeira.

Mais comum ainda, torna-se o fato de não lhe agradecerem como antes,  com tanto entusiasmo e reverência pelo serviço prestado , porque, para eles, torna-se uma tarefa que não é considerada tão difícil ou extraordinária  e, assim,  a incorporam ao seu cotidiano sem lhe pedir permissão, até porque você não demonstrava aos outros que era tão difícil assim, embora fosse muito desgastante para você, fazer tudo o que lhe pediam, em tão pouco tempo.

Se pudessem (e alguns podem), eles lhe chamariam até no banheiro, na hora do almoço, ligariam no seu celular nos finais de semana ou férias, etc. 

Porém, em contrapartida, você nota que suas colegas de outros departamentos têm uma rotina mais flexível que a sua, não se sacrificam tanto e, mesmo com tarefas urgentes, elas conseguem sair no horário. Ainda assim, em algumas situações, são mais privilegiadas e recebem mais vantagens que você.

O uso do banco de horas, pagamento de horas extras, saídas para resolver problemas particulares, uso do expediente para cursos de inglês, participação em happy hours e convites para almoço com a equipe e a lembrança de sempre presenteá-la em ocasiões especiais como aniversário, dia da Secretária, Natal, são apenas alguns exemplos.

Você também descobre que, nas avaliações de desempenho, sua média é quase sempre igual ou um pouco superior às notas das outras secretárias porque você deu o azar de ter um chefe muito mais exigente que os delas na hora de avaliar. Na sua avaliação, um desempenho mediano, é considerado bom ou ótimo pelos chefes das outras secretárias. 

Portanto, eu lhe pergunto novamente: ” Será mesmo que vale a pena tanto sacrifício e dedicação por esse chefe ou por essa empresa?”.

Pode notar, em geral, a secretária mais competente e eficiente, é a que mais trabalha e, nem sempre, é a que tem o maior salário.

Na sua opinião, quem será que está errado? Você, por se dedicar tanto a um chefe, equipe ou empresa que não lhe merecem ou você, que não sabe usar bem seu marketing pessoal para se valorizar?

Se você perceber, com isso, que o problema está na falta de gerenciamento de seu chefe, bem como um acompanhamento ineficiente da empresa (leia-se RH) em relação ao futuro profissional e plano de carreira dos funcionários, e, por isso, você se sente totalmente desmotivada e frustada, precisará, com urgência, tomar uma atitude e gerenciar, você mesma, sua carreira.

Li, há alguns anos ( e não sei se houve uma alteração considerável nessa avaliação), em uma dessas pesquisas brasileiras realizadas por uma renomada consultoria, que o que mais motiva um funcionário a se manter no emprego não é somente o salário (4o. lugar no ranking), e sim o reconhecimento (10. lugar), seguidos por oportunidade de crescimento e desenvolvimento (2o. lugar) e benefícios (3o. lugar).   

Como modificar essa situação? Como se posicionar diante disso? Você se sentiria confortável e segura para conversar com seu chefe com a intenção de defender seus interesses?

Cá entre nós, ninguém imagina as dificuldades, “saias-justas”, impasses e até antipatias que as secretárias enfrentam para resolver determinados problemas, pois ninguém fica sabendo (e nem estão interessados) e, muitas vezes, elas nem gostam de comentar o dia difícil que tiveram. O que os chefes querem mesmo saber é se você conseguiu ou não resolver tal questão. E é bom que tenham conseguido resolver, senão…

Sabe-se que, em muitas empresas, o RH tem um plano de carreira (sério) para seus colaboradores, onde as secretárias também estão incluídas, pois também são consideradas profissionais como qualquer outro na empresa,  mas, muitas vezes,  o gestor boicota ou interfere nesse plano por não querer perder sua secretária para outro e o RH não se manifesta nessa hora tão decisiva.

Algumas secretárias já comentaram comigo que seu chefe não tem nada a ver com o seu jeito de pensar, muito menos com a equipe e isso gera muitos conflitos internos e externos na empresa para a qual trabalham. Diziam continuar com o tal chefe por falta de melhores oportunidades, pelo bom salário ou até mesmo por acomodação.  Mas, e a tortura psicológica e a frustação que isso gera?  

Vocês podem até continuar a trabalhar juntos, e muito bem do ponto de vista profissional, pois cada um veste uma máscara para desempenhar bem seu papel, seja ele imposto ou escolhido, pois muitas vezes, nem o chefe está satisfeito com o cargo que lhe atribuíram ou com o que faz na empresa. 

Segundo William Shakespeare, atuamos em um palco e todos representamos um papel na vida. Acredito que cada um tenha seu grau de importância; uns protagonistas e outros de nível secundário. Resta saber o que restou para você e se você o executa com satisfação.  Só não permita que o papel de figurante  ou coadjuvante sobre para você!

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Comentários (4)

Deaneagosto 19th, 2010 - 10:16

Parabéns, amiga!

Compartilho do exposto.

Muito sucesso!!!

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Mirian Nasseragosto 19th, 2010 - 14:40

Olá, Deane!

Obrigada pelo seu comentário. Fico feliz por ter gostado do texto.
Visite o blog sempre que quiser.
Um abraço.
Mirian

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carinaagosto 25th, 2010 - 13:53

Oi, Mirian!

Achei seu blog por acaso, e você não imagina o quanto me esta sendo útil.
Estou no 1° período do curso de secretariado executivo trilíngue, e fico muito feliz e agradecida por você poder compartilhar suas experiências e conhecimento.

Abraços!
Carina

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Mirian Nasseragosto 25th, 2010 - 18:53

Olá, Carina!

Eu fico mais feliz ainda por saber que você me achou e gostou do que leu. Afinal, esse site foi criado para vocês. Se puder, divulgue me site para suas amigas da faculdade também.
Boa sorte e boa leitura!
Um abraço.
Mirian

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