Quando, nem sempre, a promoção vale a pena



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Você trabalha já há alguns anos na mesma empresa com o mesmo chefe e, apesar de alguns contratempos, problemas e mal-entendidos que costumam ocorrer, está satisfeita e realizada com o seu trabalho, quando, de repende, surge uma oportunidade de aumento de salário e mudança de emprego, chefe e trabalho. E agora? O que fazer?

Por mais que você pense, analise e troque ideias com amigos, sinceramente acho que essa situação requer mesmo sorte ou não na opção que você fizer. Pedir ajuda à sua intuição, anjos e santos de todos os tipos também pode ajudar, porém, deve-se separar bem a situação real da ilusória. É comum criarmos fantasias a respeito do futuro chefe e do novo trabalho a ser realizado, e, por isso, devemos tomar cuidado para não gerar frustações e ansiedade com tais pensamentos.

Embora a proposta lhe pareça irrecusável, o salário maravilhoso, a empresa fantástica, o chefe muito competente e carismático, nunca se sabe o que irá acontecer com você num novo trabalho e quais serão suas reais perspectivas de satisfação e desenvolvimento. 

Só lhe resta mesmo pedir aos deuses proteção e sucesso nesse novo desafio profissional e também torcer para que tudo ocorra conforme você espera.

Trabalhei em uma empresa em que aconteceu mais ou menos isso: a empresa era grande, multinacional conhecida, tinha um chefe competente e que valorizava meu trabalho e um salário compatível com o mercado. Um belo dia, um outro diretor de outra área me convidou para trabalhar como secretária dele porque sua secretária havia ido para outra empresa. Na hora fiquei muito contente com o convite, porém não sabia o que responder porque gostava muito de trabalhar com meu chefe e sua equipe. Já estava naquela empresa há um pouco mais de um ano. Salarialmente não haveria mudança porque o cargo seria o mesmo.  Só mudariam os clientes, a equipe de trabalho, a rotina  e algumas funções burocráticas. 

Pedi uns dias para pensar e depois de refletir muito, conversei com o diretor que me fez a proposta e recusei o convite. Disse que havia ficado muito satisfeita com o convite, porém,  gostava do serviço e da equipe para quem trabalhava e que salarialmente não haveria nenhuma mudança significativa, portanto, não haveria, naquele momento, motivo para eu mudar de departamento, embora também o admirasse muito como profissional e como pessoa.

Meu chefe nem ficou sabendo do convite. Achei melhor nem comentar e também pedi ao diretor para não falar nada, uma vez que a proposta não havia se concretizado.

Depois de algumas semanas, a nova secretária foi contratada; inclusive, formamos até uma amizade saudável e ela também nem soube que eu havia sido cogitada para aquela vaga.

Continuei trabalhando para meu chefe e sua equipe, quando, num dia qualquer de trabalho, recebi a fatídica notícia de que ele havia recebido um convite para trabalhar em outra empresa com um cargo e salário maiores e iria nos deixar.

Nesse dia passou um filme na minha cabeça e me perguntei o que me aconteceria depois da saída do diretor. Não só eu como toda a equipe ficou apreensiva; afinal, fomos contratados por ele e éramos profissionais de sua confiança e não sabíamos ao certo se o novo chefe iria ou não nos aproveitar na empresa.

Quando o novo chefe iniciou seu trabalho ainda ficou trabalhando conosco por algum tempo para sondar o ambiente, para sentir como éramos como profissionais, se trabalhávamos bem, etc. Depois de mais ou menos, uns dois meses, ele fez algumas mudanças e ajustes no departamento e, entre outras pessoas,  eu também fui dispensada. Ele trouxe a secretária dele que o atendia na empresa anterior e achou melhor continuar trabalhando com ela porque a sintonia e a parceria entre ambos era muito boa. 

Nesse momento me senti muito mal. Havia recusado uma proposta uns meses atrás por uma oportunidade que poderia ser melhor para minha carreira em detrimento da amizade e bom relacionamento que tinha com meu chefe e sua equipe e agora estava literalmente abandonada e sem trabalho.

Eu até acho que se houvesse oportunidade meu chefe teria me levado para trabalhar com ele em outra empresa, mas esses trâmites são muito complicados e particulares de uma empresa para outra: umas empresas aproveitam a secretária da área, outras dão total liberdade para o novo executivo contratar sua secretária ou até mesmo de trazê-la do emprego anterior para trabalhar com ele. Tudo depende da política adotada pelo RH.  

Na ocasião, também não havia oportunidade para uma recolocação, pois o quadro de secretárias era muito enxuto e não havia espaço para mim naquele momento.

Felizmente consegui uma nova colocação algum tempo depois, pois recebi uma carta de recomendação do meu antigo chefe e do RH. Não guardei mágoa nem fiquei remoendo aquela situação por muito tempo, mas confesso que fiquei muito triste com tudo o que aconteceu. Afinal, quando algum profissional recebe uma promoção a um novo cargo ou indicação a uma nova oportunidade em outra empresa, a última pessoa em que ele irá pensar é em sua equipe. Sem dúvida nenhuma, ele irá pensar em seu futuro profissional, sua melhoria salarial, status, vantagens, reconhecimento e desenvolvimento pessoal e profissional para seu bem estar e de sua família. É claro que, se possível e se houver possibilidade, irá tentar trazer algumas pessoas de seu contato profissional ou de sua equipe para trabalhar com ele, mas isso fica sempre para para um próximo passo.

Por coincidência, nessa mesma empresa, houve um caso de um gerente de contas que recebeu uma proposta para trabalhar em uma empresa concorrente com um salário bem superior ao que tinha.  Pediu demissão após dois anos de casa, embora seu chefe queria que ele ficasse na empresa. Porém, ele insistiu na sua decisão e foi em busca de seu novo desafio cheio de energia e motivação, pois acreditava que lá, teria mais crescimento e projeção profissional.

Passados apenas seis meses recebeu a notícia que nenhum funcionário gostaria de receber: estava demitido. Segundo ele mesmo nos contou, nem ele soube o que aconteceu e qual o real motivo de seu desligamento. A única percepção que teve, foi que não se enquadrou no perfil da empresa e no estilo dos outros funcionários, embora tenha se esforçado.

Pediu então, humildemente, para ser readmitido e lamentou pelo erro que cometeu. Por sorte, foi aceito e bem recebido pelo ex-chefe e colegas de trabalho.  Ele, com certeza, passou a valorizar e a se dedicar ainda mais o emprego que tinha e concluiu que, mais do que salário ou perspectiva profissional, devemos levar em conta o ambiente da empresa em que se trabalha, para ver se realmente vale ou não mesmo a pena trocar de emprego e entregar seu futuro nas mãos de pessoas incertas.

Ainda estava na empresa quando tudo isso aconteceu e, depois que saí de lá, não soube mais nada desse funcionário.

Talvez, se eu aceitasse a oportunidade para trabalhar com aquele outro diretor, ainda estivesse naquela empresa, feliz da vida, com a escolha que fiz. Mas, agora tudo isso é passado e muito tarde para se pensar em considerações e hipóteses. 

Não sei por onde ele anda, mas, com certeza, deve ter levado uma lição para a vida inteira, como eu também levei.

Nesses casos, aprendi que, tudo é muito duvidoso e incerto e que o bom relacionamento interpessoal, indicação e competência contam muito na hora de uma contratação.  Além disso, o equilíbrio entre a razão e a emoção também são relevantes na hora de se tomar uma decisão profissional tão importante para sua carreira.

Às vezes, vale mais a pena ficar na empresa em que está e trabalhar com o mesmo chefe e equipe e aguardar uma oportunidade de promoção do seu chefe, pois, consequentemente, você também será promovida e receberá aumento de salário, ou então, torcer pora que você receba um convite para trabalhar em outra área, porém, ainda atendendo seu chefe e equipe. Assim, você se sentirá mais confiante e não ficará com tanto medo da mudança.

Espero que você tenha muita sorte na sua escolha profissional e também sucesso na opção que fizer, pois, como na vida, um trabalho é cheio de ilusões, expectativas e desilusões e temos de estar preparados para todas elas.

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Comentários (5)

ivone gomesmarço 31st, 2011 - 13:46

Bom dia!
Temos de estar prepadas mesmo, eu penso assim: Se você tivesse escolhido deixar seu chefe e aceitar a proposta do outro diretor talvez por algum motivo não desse certo. Com certeza, você se arrependeria de ter saído, ia ficar se lamentando e talvez não quisesse trocar o certo pelo duvidoso onde tudo dava certo. Eu, no seu lugar, faria a mesma coisa. Essa empresa que trabalho até hoje, eu amava. Entrei como recepcionista e, depois de 3 meses, recebi uma proposta para ir para área de vendas. O salário era ótimo, só que nunca gostei de vendas e recusei a proposta. Eu me arrependo amargamente, estou até hoje na recepção e sou secretária/recepcionista e estou gostando, mas, com certeza, minha situação finaceira poderia estar bem melhor.

Abraço.

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Mirian Nasserabril 15th, 2011 - 19:58

Olá, Ivone!

Agradeço seu contato e depoimento. Você tem razão no seu ponto de vista. Desejo-lhe sorte e uma nova oportunidade de trabalho para poder mostrar todo o seu potencial e profissionalismo.

Um abraço.

Mirian

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ivone gomesabril 19th, 2011 - 17:14

Muito obrigada mesmo!
Boa sorte para você também!

Um abraço.

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girlinijulho 8th, 2012 - 6:09

Estou muito confusa. Estou cursando RH mas não sei o que fazer: não sei se devo fazer tudo certo e tentar o RH da empresa que estou mesmo achando muito difÍcil ou se devo fazer errado para ser mandada embora para que eu possa procurar atuação em outra empresa. Que dúvida, o que faço?

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Mirian Nasserjulho 8th, 2012 - 21:06

Olá, Cirley!

Agradeço seu contato e interesse em minha opinião. Seu e-mail não ficou muito claro para mim. Porém, se está cursando RH, gosta da área e quer atuar nela, é lógico que deve buscar um emprego que lhe dê essa oportunidade. Se no atual local de trabalho acha difícil conseguir essa chance, o mais correto seria conversar com sua chefia ou com algum superior e explicar sua situação. Se, mesmo assim, chegar a uma conclusão de que não terá a oportunidade desejada, peça para ser demitida ou faça um acordo, mas, por favor, não prejudique sua imagem no trabalho, muito menos o bom andamento do serviço que executa. Pense bem, não ficaria bem para uma estudante e futura funcionária da área de RH agir assim no trabalho.
Se conseguir suportar o emprego por mais algum tempo, procure outra recolocação enquanto estiver trabalhando. Assim você sairá da empresa de uma forma amigável.
Boa sorte!
Um abraço.
Mirian

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