Quando o chefe não tem poder



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Quem é da área sabe que, dependendo do chefe ou executivo que se tem, a secretária tem ou não poder e é valorizada e respeitada na empresa em que trabalha.  Isso não tem nada a ver com competência, experiência, dedicação e comprometimento com a empresa e com o trabalho de ambas as partes. Estou me referindo a um aspecto mais sutil que é o poder que seu chefe tem ou não na empresa em que trabalha. 

Se você trabalha para um chefe que todos respeitam, admiram e acatam as “ordens” que ele dá, isso sim é ter poder! Já trabalhei com todos os níveis de chefia, desde gerente a presidente, e notei, ao longo desses anos que, independentemente de se ter capacidade ou não, quem tem poder na empresa consegue fazer com que seu trabalho seja feito de forma mais organizada, dinâmica e bem feita. Isso, é claro, se reflete no trabalho da secretária, que se torna um reflexo desse chefe.

Tive um chefe que, apesar de ser muito graduado, experiente e competente, não conseguiu desenvolver um bom entrosamento com a equipe; isto é, não conseguiu conquistá-los. Não havia empatia alguma. Ele foi contratado através de um headhunter (profissional caça-talentos), sendo que, na época, muitos executivos desejavam aquela vaga de diretor e, outros ainda, se consideravam já como o escolhido.    

Quando ele chegou, foi aquela decepção. Eu já havia sido admitida na empresa há quase um mês e estava à espera desse executivo a quem iria atender. Consequentemente, isso me afetou, porque, se o executivo da empresa fosse o escolhido e promovido a diretor, é claro que sua secretária também seria promovida. Era natural também que essa ou outras secretárias tivessem ciúme de mim. Não vou negar que, também no início, tive uma certa dificuldade de me relacionar com algumas secretárias.

Para vocês terem uma ideia, assim que ele iniciou suas atividades, o colocaram um uma sala improvisada e pequena, na qual ele permaneceu durante um bom tempo; alguns meses,  eu acredito. Enquanto isso, um de seus subordinados, um gerente, tinha uma sala bem maior que a dele. Ninguém se importou com esse detalhe, até que um belo dia, alguém (que nem era da nossa equipe), se prontificou e tomou a iniciativa e fez a troca das salas. O pior era que uma sala era ao lado da outra e o gerente em questão não gostou nada de ter de ceder sua sala ao chefe. Mas, apesar do impasse, a troca foi feita.    

Durante esse período eu notava que havia um mal-estar entre esse chefe e gerente, porém, ninguém tocava no assunto: nem o chefe pedia a sala, muito menos o subordinado se prontificava a cedê-la. Qualquer funcionário nessa situação já teria oferecido a sala ao diretor, até para fazer “média” ou mesmo com o intuito de bajulá-lo, mas isso não aconteceu.

Logo notei outras situações constrangedoras, como convocar a equipe para a reunião com uma certa antecedência e muitos se esquecerem da tal reunião; pedir sugestão de pauta e, na véspera da reunião, não ter recebido nada ainda. Era comum também, esse diretor e eu, chegarmos sempre antes da equipe para a reunião. No início chegávamos uns 5 minutos antes da reunião, depois passamos a chegar na hora marcada e, mesmo assim,  a maioria da equipe se atrasava. Cada um dava uma desculpa: um dizia que estava em outra reunião; outro falava que estava ao telefone com cliente e outros ainda simplesmente entravam na sala, pediam desculpa pelo atraso e só. Outra situação que me incomovada bastante era falar ao celular durante a reunião, mesmo que fosse para eles dizerem que não podia falar naquele momento.  

Depois de um tempo, passamos a chegar uns 5 minutos após o início da reunião e mesmo assim nem todos estavam presentes, porém, meu chefe decidiu iniciar a reunião mesmo assim, pois, em situações anteriores, ele ainda esperava pelos atrasados. Eu achava aquilo inadmissível, mas fazer o quê? Tinha de estar presente porque redigia a ata da reunião.

Para ser sincera, nem gostava de participar dessas reuniões. Acha que se falava muito e não se chegava a conclusão nenhuma. As pendências eram proteladas a cada reunião porque sempre tinha um que dizia que não tinha dado tempo de resolver tal assunto ou que estava na dependência da resposta de um outro departamento para tomar uma decisão.

Eu, particularmente, não sentia sintonia alguma entre meu chefe e a equipe e eles faziam o que ele pedia sem nenhum critério ou interesse. Faziam de qualquer jeito. Era cansativo e desgastante para mim ter de refazer planilhas  e relatórios que as equipes me enviavam, porque sempre havia erro, com dados incompletos e incorretos. No fim, o pior trabalho sempre sobrava para eu fazer. 

Acho que o diretor percebia o descaso, mas nada fazia. Vez ou outra chamava a atenção de  alguém na reunião (de uma forma leve e educada), mas também não surtia muito efeito. Certa vez, reclamei com meu chefe sobre a ata de reunião. Disse que havia enviado aos participantes e estava aguardando, há quase uma semana, um posicionamento deles sobre inclusão ou alteração das informações ali contidas para poder preparar a ata definitiva, porém,  ninguém respondia aos meus e-mails.  

Essa equipe não respondia somente a esse diretor, havia um outro por quem todos nutriam muito respeito e admiração. Esse diretor ao qual me refiro, já era um funcionário antigo da casa, e  havia sido contratado através de uma indicação interna de um executivo também de igual importância.  Logo se notava a discrepância de atitude e comportamento da equipe para com cada dos diretores.

Nesse instante, meu chefe disse, em tom de brincadeira, que se eles nem tinham interesse em ler a ata, muito menos fariam as alterações necessárias. Depois desse comentário, a mim, me restou somente me calar e lamentar a situação.

Comentei esse episódio com vocês, porque, se esse for o seu caso, saiba que o seu trabalho fica prejudicado, e muito! Você não consegue fazer suas tarefas diárias com rapidez e eficiência quando depende de outras pessoas que também prestam auxílio a outros executivos da empresa. E, você sabe, infelizmente, não somos atendidas por ordem de chegada e sim por hierarquia e poder. Essa é a dura realidade. Dependendo para quem for trabalhar, saiba que seu trabalho pode ou não ficar comprometido e não lhe resta muito a fazer, senão aguardar seu pedido ser atendido.

Sentia muita dificuldade em conseguir, de forma fácil e rápida, os pedidos que fazia às pessoas da empresa. Eu me lembro até de ter de esperar pelo cafezinho da copeira durante uma reunião com clientes porque ela estava atendendo outro diretor, segundo ela, bem mais importante que o meu. O fato de eu ter agendado esse serviço com antecedência de nada adiantou. Muitas vezes, dava a sensação de que eu é que era a lerda ou a incompetente, se é que me entendem. Depois, decidi por aceitar essa situação, pois estava me desgastando mais do que meu chefe.

A realidade é que, quando um chefe não tem poder, a única pessoa em que ele coloca toda a sua autoridade e cobrança é em você.

Por outro lado, quando seu chefe tem poder e  é respeitado, a situação muda totalmente.  Tive uma outra experiência quando trabalhei com um diretor em outra empresa. Lá eu tinha minhas atribuições como as outras secretárias e esse diretor era bem aceito pela equipe e funcionários, em geral.

Porém, quando solicitava alguma coisa a alguém de outro departamento, tinha de esperar minha vez porque havia uma fila e, dependendo da urgência, meu pedido, poderia ou não ser atendido imediatamente. Quando fui promovida e passei a trabalhar com o presidente, a situação mudou completamente de figura. Eu me lembro bem de ter solicitado ao departamento de informática que viesse ver o computador do presidente pois estava muito lento. Porém, disse que não tinha pressa, pois ele havia saído para uma reunião e que poderiam verificar o problema mais tarde. Qual não foi minha surpresa quando, assim que desliguei o telefone, em menos de um minuto, lá estava um técnico a minha disposição para atender ao presidente.  Eu até me senti a tal. Nesse momento recordei de como era quando eu trabalhava com o diretor e esse mesmo técnico vinha me atender. Completamente diferente!

Portanto, não se sinta mal, desvalorizada ou inferiorizada se você estiver numa situação parecida. Saiba que você é e sempre será capaz e competente, caso contrário, não estaria nesse cargo . Porém, se seu chefe não tem poder e isso se reflete no seu trabalho e compromete seu desenvolvimento e crescimento, trate logo de mudar de área, de chefe ou, se possível, de empresa.  E, detalhe, procure trabalhar com um chefe que tenha  poder, o poder da liderança. Só assim você conseguirá  mostrar seu verdadeiro valor.

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Comentários (4)

Gizeledezembro 8th, 2014 - 14:55

Excelente post!! estou numa situação parecida.

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Mirian Nasserdezembro 9th, 2014 - 0:45

Olá.Gisele!

Agradeço seu elogio e depoimento. Boa sorte!

Mirian

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Alinesetembro 26th, 2015 - 1:55

Olá, Mirian!

Eu me identifiquei com seu post. Estou em uma situação parecida. Realmente o desgaste, para quem é secretária e está nesta situação, é terrível.

Obrigada.

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Mirian Nasseroutubro 22nd, 2015 - 3:57

Olá, Aline!
Agradeço seu contato e interesse em meus textos.
Fico satisfeita em tê-la ajudado, de alguma forma, na leitura dos meus textos.
Boa sorte!
Um abraço.
Mirian

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