Você sabe o que é síndrome de burnout?



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Para quem não sabe ou mesmo nunca ouviu falar nessa definição em inglês, burnout (lê-se bârnáut) significa burn (queima) e out (para fora, até o fim), ou seja, ao pé da letra pode-se traduzi-la como combustão completa. Em português, seu significado seria algo parecido como “perder o fogo” ou “perder a energia”.

Portanto,  síndrome de burnout pode ser entendida como a perda total de interesse pelo trabalho e um profundo desgaste profissional muito comum em pessoas dedicadas ao trabalho, exigentes consigo mesmas e com os outros e com mania de perfeição. Muitas vezes, tais profissionais tornam-se frustados em suas expectativas por não serem reconhecidos no ambiente de trabalho ou não merecerem a atenção que mereciam.

A síndrome foi denominada e detectada pela primeira vez em 1974, pelo pesquisador e psicanalista americano, dr. Freudenberger,  após notar oscilação de humor e desinteresse pelo trabalho entre alguns de seus funcionários da área de saúde.

Tal doença pode se manifestar em qualquer profissional, porém, é mais comum em profissionais que se destinam a cuidar de outras pessoas ou que tenham um contato interpessoal muito intenso e próximo como médicos, enfermeiros, bombeiros, policiais, professores, psicanalistas, entre outros. 

Conheci há muitos anos, quando estava em começo de carreira, uma secretária muito competente que havia estudado enfermagem e que adorava o que fazia.  Atuou por quase sete anos como enfermeira em um grande hospital e sua ala era de doentes terminais. Depois de alguns anos, contou-me que tinha insônia, estava apática, desmotivada, estressada, infeliz e totalmente desinteressada pelo trabalho. Era considerada uma pessoa feliz,  sensível, emotiva, comunicativa, com um astral elevado e cheia de energia e disposição. Tudo isso acabou quando ingressou nesse hospital.  Sua atividade era altamente desgastante e sentia-se mal e responsável quando algum doente falecia e sofria junto com a família. Ela se envolvia muito com a vida dos pacientes e esse sentimento de compaixão era característico da personalidade dela. 

O ponto final se deu no dia do seu aniversário quando soube que um paciente que ela cuidava e por quem sentia muito carinho, havia morrido. Imaginem vocês, como ela passou o dia do seu aniversário.  Com determinação e coragem, resolveu então sair e começar sua carreira do zero. Fez um curso técnico de secretariado e começou a trabalhar na função.  Na empresa onde nos conhecemos,  já estava em seu segundo emprego como secretária e estava muito feliz e satisfeita com a escolha,  embora, segundo ela,  já tivesse mais de trinta e dois anos.  

A lição que ela tirou era que não deveria mais se envolver com os problemas da empresa, dos chefes, dos colegas e amigos, enfim, de ninguém. Iria sim, ajudar no que fosse possível, porém, sem fazer com que o problema fizesse parte da vida dela e, com isso, a influenciasse como acontecia.

Sendo assim, acredito que muitas secretárias já sofreram ou sofrem dessa síndrome e nem sabem, uma vez que estão em constante contato com clientes, fornecedores, executivos e seus familiares.  Junto com eles, aparecem os problemas, ambições, frustações, ansiedades, expectativas, bem como o de toda a  equipe, cada qual com sua expectativa no ambiente de trabalho. E, vocês sabem, muitas vezes, a secretária torna-se uma confidente, um ombro amigo e até uma psicóloga quando alguém quer desabafar.

Somando-se a tudo isso, temos a figura da secretária que também tem seus anseios, metas, frustações e, não raro, o desempenho da empresa, do chefe e de sua equipe afeta, direta ou indiretamente, os objetivos e o humor das secretárias. Nesses casos, nem sempre ela tem com quem conversar e raramente deixa transparecer sua fragilidade.

Se você for uma secretária em começo de carreira que trabalha em uma pequena empresa e que é obrigada a fazer tudo (serviço de telefonia, recepcionista, compra de material, etc.) cuidado com a carga de trabalho e com a energia que dispensa nesse emprego.

Por outro lado, se você já é uma secretária experiente, competente e que trabalha em uma grande empresa ou em uma multinacional também deverá ficar alerta porque, em geral, o quadro de funcionários é enxuto e a secretária é contratada para trabalhar com dois ou três executivos e, muitas vezes, se depara exercendo sua função para quatro ou cinco, além de tomar conta de outras atividades ou mesmo colaborar como assistente da área em que atua, mantendo sempre a  perfeição, rapidez e profissionalismo.

Muitas vezes, isso acontece sem uma conversa prévia por parte do chefe ou do RH, sem aumento de salário e perspectiva de promoção ou cursos que promovam seu desenvolvimento e aperfeiçoamento na área. O comum é receber só promessas vagas e falsas.

Já conheci pessoas, não só secretárias, que saíram de uma empresa onde ficaram por alguns anos sem direito a férias e eram admitidas em outra rapidamente. Não dava tempo para descansar, tirar uns dias para viajar ou relaxar. Com isso,  já ingressavam nas empresas exaustas e tendo de mostrar o mesmo comprometimento e profissionalismo que mantinham na empresa anterior.  As desejadas férias só viriam dali a um ano ou mais e torciam para terem energia  até lá.

Não raro,  essas pessoas já estavam sofrendo dessa síndrome e nem sabiam porque ela é confundida com estresse ou fadiga intensa. Preste muita atenção no seu trabalho e na atividade de seus colegas para alertá-los quanto ao problema e pedir que eles procurem ajuda profissional, seja médica ou psicológica quando o desgaste físico e emocional estiver no limite.

Hoje em dia, as empresas competitivas e modernas estão sempre se desdobrando em mil para se manter ou atingir a liderança e, com isso, se destacar no mercado como a melhor ou uma das melhores. Isso também envolve seus funcionários,  o que gera um trabalho sempre intenso e interminável, com cobranças de dedicação, profissionalismo, comprometimento, hora extra e proatividade a todo o momento. Isso envolve desde o presidente até o cargo mais simples da empresa, enfim, a exigência é para todos e o medo do desemprego é uma constante. Por isso, os workaholics (viciados em trabalho) tornam-se presas fáceis e fortes candidatos a sofrer desse mal.

Além das causas psicológicas como vazio interior, depressão, recolhimento, etc., existem também as físicas como falta de apetite, distúrbios do sono, dores de cabeça, náuseas, tonturas, tremores, falta de ar, palpitações, oscilação de humor, dificuldade de concentração, problemas digestivos, entre outros. Tais sintomas são denominados como doenças psicossomáticas.

Se você quiser saber mais a respeito, converse com médicos, psicólogos ou pesquise em livros e na internet, pois, por ser uma doença relativamente nova, muita gente a confunde com depressão. Fique atento às causas, sintomas e tratamento, pois, a síndrome de burnout é também conhecida como a síndrome do esgotamento profissional, é uma forma de exaustão emocional, um estado de depressão, apatia, perda da auto-estima e falta de interesse pelo trabalho, mesmo se dedicando com afinco a ele. É como se o fizesse de forma mecânica, sem emoção ou comprometimento, gerado por um sentimento de frustação por falta de reconhecimento à sua competência e dedicação ao trabalho. O único aumento que recebe é o da carga horária e de funções.

Eu me lembrei agora de uma colega de trabalho em uma das últimas empresas em que trabalhei. Era era alegre, extrovertida e muito sociável, porém, seu nível de empatia era zero. Quando o assunto era a empresa, ela formava uma barreira de concreto em sua frente e nessa parede não passava nenhum sentimento de compaixão, emoção, sensibilidade, preocupação no que se referia aos problemas do chefe, da equipe, dos colegas ou da empresa. Talvez tenha sido uma forma de defesa que ela tenha desenvolvido ao longo dos anos para se proteger.

Ela sempre dizia que não era problema dela, que não poderia ajudar a resolver e que já tinha problemas pessoais e familiares suficientes para se ocupar.  Mantinha sempre seu horário de almoço e saída,  estava sempre saudável e com boa aparência, além de demonstrar tranquilidade em qualquer situação de conflito ou tensão. Enfim, seus interesses sempre estavam à frente dos interesses da empresa.

Caso a empresa falisse ou ficasse em situação difícil; o chefe fosse demitido ou coisa parecida, ela não se abalaria e iria tentar se manter no emprego ou se recolocar no mercado de trabalho o mais rápido possível. Nesse caso, não sei de que lado você ficaria:  se o da enfermeira que virou secretária ou da secretária que se mantinha fria como uma parede de concreto e não se deixava abalar por nada e por ninguém. Talvez conheça pessoas com essas características, porém, todos sabemos, que ser radical ou ter uma atitude extrema em qualquer situação não é bom, porém, encontrar equilíbrio e mantê-lo nessas circunstâncias á ainda mais complicado.

Particularmente,  já manifestei as duas atitudes e, hoje em dia, procuro o tal equilíbrio, embora seja difícil de encontrá-lo, afinal, todos nós estamos a sua procura. Lembre-se de que o que importa é você, sua saúde, seu bem estar, sua realização pessoal e satisfação profissional, pois a vida, seja ela boa ou ruim, é uma só e trabalho, independente de como ele se apresentar, existem muitos por aí. Pense nisso!

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Comentários (10)

ivone gomesmaio 19th, 2011 - 16:52

Nossa, adorei esse artigo! Parabéns!

Beijos.

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Mirian Nassermaio 19th, 2011 - 21:00

Obrigada, Ivone!

Mirian

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Rita Moreirajunho 1st, 2011 - 16:29

Mirian, muito bom o Artigo!
Vou disponibilizar no meu blog e Face.
Parabéns!
Rita Moreira-Presidente do Sindicato das Secretárias(os) do Estado da Bahia

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Mirian Nasserjunho 1st, 2011 - 17:43

Boa tarde, Rita!

Muito obrigada pelo seu contato e elogio. Se quiser selecionar todos os meus textos ou alguns deles e colocá-los em seu blog e facebook ficaria muito feliz.
Será uma forma de poder divulgar meu nome e meu trabalho.
Também ministro cursos e palestras in company e no Brasil todo, caso tenha interesse.

Um abraço.

Mirian

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luciacasimirooutubro 8th, 2011 - 16:18

Mirian

boa tarde! tudo bem? Gosto muito dos seus textos. Parabéns pela sua página.

Ótimo final de semana.

Abraços.

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Mirian Nasseroutubro 9th, 2011 - 2:59

Olá, Lúcia!

Muito obrigada pelo seu interesse e elogio. Fico muito satisfeita quando os leitores gostam, aprendem e se identificam com meus textos.

Um abraço.

Mirian

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Aline Calixtoabril 25th, 2012 - 13:55

Olá, Mirian! Encontrei seu blog ao acaso e achei muito interessante seu post. Sou profissional de enfremagem, iniciei minha vida profissional muito cedo em um posto de saúde (aos 14 anos, naquela época se podia trabalhar meio período). Consegui estudar e, após muita dedicação, voltei à minha cidade natal e passei em um concurso público em 1º lugar e assumi a vaga que era meu grande sonho e objetivo. Hoje, o que antes para mim era sinônimo de orgulho se tornou um sentimento medonho de desprezo, e até mesmo raíva pela função que desempenhava. Sempre gostei muito da minha função e sempre fui boa profissional e acadêmica. Hoje estou afastada, em tratamento da Síndrome de Burnout, inclusive correndo o risco de me aposentar aos 25 anos de idade e 6 anos na profissão propriamente dita. A literatura brasileira deixa muito a desejar neste assunto, fazendo com que nós, doentes, percamos muito tempo com diagnósticos errôneos enquanto o tempo vai passando e a situação se agravando. Parabéns pelo post, continue assim!

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Mirian Nasserabril 25th, 2012 - 17:41

Olá, Aline! Muito apropriado seu comentário, apesar de triste. Infelizmente, algumas profissões como a sua, podem levar o profissional a desenvolver algumas doenças como ansiedade, depressão, angústia, pânico, etc., além de aversão e desmotivação pela profissão. Acho que, em qualquer profissão, temos de estar preparadas psicológica e fisicamente, senão, seremos afetadas de forma muito radical. Pense que você cumpriu bem o seu papel e que agora deve cuidar de você. Como ainda é muito jovem, poderá procurar ajuda psicológica, desenvolver algum trabalho alternativo ou voluntário que envolva criança, beleza, bem-estar, diversão, natureza, etc. que fará com que sinta mais prazer pela vida e possa começar uma nova carreira. Quem sabe até se tornar professora. Poderá alertar os futuros alunos sobre esse problema e orientá-los a manter sempre uma atividade extra ou um hobby para aliviar a tensão do dia a dia do trabalho. Conheci uma colega de profissão, que se tornou secretária, justamente por isso. Estava se sentindo muito mal emocionalmente trabalhando em hospital com pacientes terminais e resolveu a tempo, abandonar tudo e começar do zero uma nova profissão para poder resgatar a alegria de viver e a energia que sempre teve.
Boa sorte e obrigada pelos elogios.
Um abraço.
Mirian

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Janmaio 25th, 2012 - 3:12

Parabéns pelo post Mirian! Nunca tinha ouvido falar desse mal, Síndrome de Burnout, tão estranho e tão próximo à minha realidade. Pelas suas descrições percebo que estou vivendo isso há sete meses…assustador! Bom, na verdade meu comentário é sobre seu blog, parabéns! É perfeito, inteligente e muito interessante. Com certeza, vou visitar sempre. Parabéns pelo blog!
Um abraço.

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Mirian Nassermaio 25th, 2012 - 23:18

Olá, Jan!
Agradeço muito seu contato e elogios. São comentários como o seu que me fazem ter a certeza de que estou no caminho certo e que tenho um retorno positivo das pessoas que acreditam no meu trabalho. Se você acha que sofre de Sindrome de Burnout é necessário procurar um médico para ter um diagnóstico mais acertado. Muitas vezes damos um diagnóstico errado sobre alguns males que nos acometem sem nenhuma avaliação médica. Espero que não tenha essa doença e procure um especialista para saber exatamente o que está acontecendo com você.
Boa sorte!
Um abraço.
Mirian

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