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Essa é a clássica pergunta que todo profissional se faz quando ingressa em uma profissão.  Se não tem essa consciência ou se é levado a alguma profissão por diferentes situações, outras pessoas, com certeza, se encarregarão de fazê-la por ele. Uns ouvem com mais frequência;  já, outros, de tempos em tempos,  quando  participam de algum processo seletivo ou quando põem sua profissão à prova.

No caso da Secretária, todos sabem que, para ser uma profissional completa, é necessário ter, no mínimo, um curso técnico de Secretariado, aliado a muita experiência.

Muitas Secretárias, em início de carreira, possuem só a teoria, sem nenhuma ou pouca experiência. Outras; muita experiência, mas sem o recurso tão necessário dos ensinamentos teóricos.

Com isso, dá para perceber a deficiência de cada uma, tão notada pelos colegas e “disfarçada” por elas mesmas.

Mesmo àquelas que já têm nível universitário, voltam ao banco da escola para tirar o tal registro na DRT muito exigido pelas empresas atualmente. Assim, as secretárias registradas passam a ser mais valorizadas e respeitadas em seu local de trabalho.

Outras, porém, vão além. Fazem pós-graduação e MBA na área de secretariado ou nas áreas em que trabalham para se sentirem mais atuais, completas e experientes.

Por isso, cada vez mais, as secretárias buscam reciclar seus conhecimentos participando de congressos, seminários, cursos, palestras e workshops  pertinentes ou não à area em que atuam. Porém, se não puderem, por alguma razão, colocar em prática algumas dessas sugestões, terão de ler, sim, ler muito.

Aliás, quem lê muito, nem acha muita graça nos eventos que participa porque, muitas vezes,  já sabe sobre o tema e não há nada de novo a acrescentar.

Muitas vezes, essas Secretárias até se sentem obrigadas a isso por exigência do mercado e pela própria concorrência interna.  Afinal, hoje em dia, quem quer contratar alguém que fez somente um curso técnico ou apenas uma faculdade há mais de uma década?

Não adianta só fazer o curso. Ir lá somente para “bater-cartão”, como popularmente se fala.  É importante aprender e incorporar o que se aprendeu ao seu dia a dia ou mesmo ajudar, com seus novos conhecimentos, uma outra secretária que está em apuros.

Soube de um caso recente de uma secretária que fez um curso interno, via internet, sobre Etiqueta Empresarial fornecido pela própria empresa. Pois bem, ao término do curso, houve uma situação envolvendo os colegas de trabalho em que ela precisaria colocar em prática o que aprendeu, mas nada aconteceu. Assim, ela perdeu uma preciosa chance de melhorar seu relacionamento interpessoal na empresa.

Um curso só é válido se você sentir real necessidade de fazê-lo e se provocar mudanças internas em você, além de melhorias no seu ambiente de trabalho, senão, você terá perdido tempo e feito um curso inútil.

Hoje em dia, mais do que nunca, as secretárias procuram cursos diferentes e atuais, que fujam dos tradicionais, como “Técnicas Secretariais”, ou “Como ser uma secretária eficiente” porque nenhuma secretária aguenta mais esse tipo de assunto. Além disso, elas estão muito mais críticas e exigentes e não gostam, em hipótese alguma, de serem subestimadas por nenhum palestrante, pois, o que não faltam são palestrantes que aparecem ao evento sem, ao menos, ter preparado a apresentação e que só falam bogagens ao sabor do momento e, quando questionados, disfarçam e não respondem à pergunta. No final, ainda esperam aplausos. Muitos, infelizmente, confundem, palestra com bate-papo.

Outro fato interessante é que, muitos chefes, não liberam suas secretárias e nem patrocinam esses eventos para elas por acharem desnecessário ou, muitas vezes, até inútil.  Outros ainda, nem sabem da existência de eventos para secretárias.  Imaginem então, o nível do executivo e da empresa para quem você trabalha.

Quanto tempo você leva para aprender determinado serviço na empresa? Um, dois ou sete dias? Pois é, esse é o seu tempo de experiência que você tem empresa. E, se você está há muito tempo na empresa e ainda não aprendeu como se trabalha, então seu nível de experiência também é nulo.

Já ouvi muita Secretária dizer, orgulhosa, que tinha muita experiência; experiência de 10, 15 anos na mesma empresa e que fizera apenas o curso técnico de Secretariado e que isso lhe bastava. Achava desnecessário cursar uma faculdade, fosse por falta de tempo, dinheiro ou interesse mesmo.

Como alguém pode ter 10, 15 anos de experiência tendo trabalhado em uma única empresa, muitas vezes, com um único ou os mesmos chefes e executando as mesmas tarefas? Na realidade, a experiência naquela empresa foi adquirida nos primeiros dias de trabalho e, assim que aprendeu todo o serviço, tudo ficou monótono e repetitivo ao longo dos anos por executar a mesma tarefa e também por trabalhar para o mesmo chefe.

Se você tem uma rotina de trabalho que quase não se altera, onde tudo é muito previsível, infelizmente, você também faz parte do rol daquelas que não têm anos de experiência e sim dias, e, irá notar, que possui muito menos experiência do que imaginava, embora tenha quase 20 anos de carreira na mesma empresa.

Nem sempre o perfil de uma Secretária assemelha-se ao do executivo, seja no aspecto positivo ou não, uma vez que ele contrata alguém parecido ou não com seu nível intelectual e jeito de trabalhar. Por isso, muitas vezes, gera estresse entre eles, com direito a desgaste emocional e muita frustação.

Desculpe-me se for o seu caso, mas é o que se vê por aí. Afinal, se você trabalha para alguém com o perfil muito diferente do seu, os conflitos serão diários.

Por outro lado, se você é jovem e trabalhou ao longo de 10, 15 anos em muitas empresas e ainda tem muito aprender, com certeza, poderá dizer que tem muita experiência porque teve contato com chefes e profissionais de diferentes perfis e personalidades, de diversas culturas, ramos de atuação, departamentos e tecnologias durante todo esse período.  Por isso, é comum algumas secretárias dizerem que preferem empresas de determinado ramo de atuação ou cultura por se sentirem melhor naquele ambiente.

Cada pessoa tem um perfil que se adapta melhor àquela empresa, e não significa  que você seja profissionalmente melhor ou pior que as outras secretárias que trabalham lá. Muitas vezes, a questão do perfil, é cruel e nos faz nos sentirmos incompetentes. Portanto, se gosta de trabalhar no meio de gente, na área de vendas, por exemplo, não vá trabalhar na área financeira, onde a concentração é fundamental e terá de fazer muitos cálculos e gráficos que você não ficará satisfeita.

Muitos anos atrás, fiz uma entrevista em uma empresa japonesa. Foi tão engraçado porque estava à espera da selecionadora que me traria os testes em um andar onde só haviam homens trabalhando, todos japoneses, sentados em frente ao computador e trajando ternos escuros, no mesmo tom.  Não havia nenhuma mulher trabalhando naquela seção.   Não se ouvia nenhum ruído. Durante quase quarenta minutos em que permaneci ali, ninguém tossiu, espirrou, conversou, riu ou circulou pela sala.  O silêncio era de impressionar. Nem a máquina copiadora fazia barulho. Era inacreditável!

Depois de ter sido entrevistada pela selecionadora e ter feito todos os testes, ela própria (que não era japonesa), me disse, ao final da entrevista, que a grande maioria das secretárias que lá trabalhavam eram orientais, e que algumas delas falavam japonês, pois muitos chefes eram japoneses ou falavam bem o idioma, embora o idioma exigido para a vaga fosse o inglês.  Mesmo assim, nas entrevistas, ela gostava de diversificar o perfil das secretárias. Também me disse que, naquela empresa, não havia plano de carreira para Secretárias.

Diante do exposto, logo notei que não teria chance ali e, também não fui chamada para ser entrevistada pelo executivo japonês.

Em uma outra entrevista, a selecionadora perguntou qual era o meu signo. Falei que era gêmeos. Em seguida, ela disse que o executivo era de touro e que prefiria secretárias taurinas.  Logo, perguntei:  “meu ascendente é de touro, serve?”. Ela riu e disse que não.

Pensei comigo: por que não me perguntaram isso no início da entrevista ou mesmo por telefone? Nem tiveram a atenção de verificar no currículo a data do meu nascimento.

Já na entrevista anterior, a selecionadora perdia o nosso tempo e o dela entrevistando secretárias que não fossem orientais, mesmo sabendo que a chance de sermos contratadas era remota.

A idade, aparência, estado civil, situação financeira, controle emocional, relacionamento interpessoal, estabilidade, nacionalidade, experiência, região onde mora, filhos e outras peciliaridades, completam o perfil.

Só depois de algumas experiências engraçadas e desastrosas é que entendi exatamente o que era “estar no perfil” de algumas empresas e consultorias especializadas na contratação de secretárias.

Por isso, não desitam! Existem muitas secretárias excelentes desempregadas e outras tantas trabalhando em boas empresas que, pela desqualificação, até nos assustam! No seu conceito, elas não estariam no perfil, mas estão nos padrões exigidos pela empresa ou pelo chefe para quem trabalham.

Também, tanto a empresa como o executivo não estão incluídos na lista das empresas e profissionais de primeira linha ou entre as empresas mais rentáveis de seu segmento, não é?

Você pode até achar que tem perfil para ser secretária quando se compara às demais secretárias de uma empresa com um perfil mais tradicional; mas, e se a comparação vier de empresas mais dinâminas e modernas? Também afirmaria estar no perfil? Por isso, o que mais conta não é só a experiência, mas o nível de atualização que adquiriu ao longo dos anos.

Você deve reciclar constantemente seus conhecimentos e lembrar-se de que, quando estiver em uma entrevista, não é só a empresa que irá analisar o seu perfil, mas você também deverá fazer uma auto-análise  para se certificar de que a selecionadora (leia-se o RH), a empresa, bem como o chefe ou o pool de secretárias com quem irá trabalhar,   fazem parte do perfil que você traçou e que procura para trabalhar.

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Comentários (4)

Juliana Nascimentojulho 28th, 2010 - 15:25

Mirian, este artigo é muito significativo. Principalmente quando se trata de relacionamentos. Realmente, a falta de sinergia entre o executivo e a secretária pode afetar muito. Afinal, a relação trabalhista acaba virando um vínculo.
Felizmente, estou numa empresa que aproveita o profissional da melhor maneira possível, assim aproveito o máximo que posso. Sigo com você, quero crescer sempre profissionalmente. Abraços e até mais!

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Mirian Nasserjulho 28th, 2010 - 16:17

Olá, Juliana! Obrigada pela sua participação. Que bom que se identificou com esse artigo. Você tem razão no seu comentário e ainda bem que está satisfeita com a empresa e chefe para quem trabalha. Tenho certeza de que alcançará, em breve, seu objetivo. Boa sorte!

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TERESA LASSALTE ESPIRITO SANTOagosto 27th, 2012 - 14:14

Gostei de todo o texto.

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Mirian Nasseragosto 27th, 2012 - 18:26

Olá, Teresa!

Obrigada pela sua participação e elogio.
Um abraço.
Mirian

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